Tero Queiroz | 13 de Fevereiro de 2018 - 10h55

“Entre Irmãs”: Patrícia Andrade e a força feminina

“São mulheres sonhadoras, mas empoderadas, que mudam o destino traçado para elas”

As flores da caatinga impressionaram a carioca Patrícia Andrade, 51 anos. “Elas nascem dentre as pedras, enfrentam desafios e sabem se defender – são venenosas”, explica.

Foi no sertão nordestino, durante as filmagens de Entre Irmãs, do qual é roteirista, que ela se deu conta das semelhanças entre a natureza e as protagonistas do longa. “São mulheres sonhadoras, mas empoderadas, que mudam o destino traçado para elas”, afirma.

A roteirista falou sobre o quinto filme com o diretor Breno Silveira, a carreira começada ao acaso e a força feminina no cinema.

Liberdade para brincar

“Há anos, o Breno me disse que queria fazer um filme sobre Maria Bonita, mas era difícil distinguir as histórias verdadeiras dos boatos. Uma amiga me sugeriu o livro A Costureira e o Cangaceiro, de Frances de Pontes Peebles. Mudei bastante coisa, acrescentei cenas, dei outra índole a personagens. Roteiros só funcionam quando temos autonomia.”

O processo

“Levo dois anos para criar um roteiro. Em casa, tenho uma pasta com recortes de revistas e jornais. Presto atenção nas histórias que ouço. Penso em uma trama central e desenvolvo os personagens. O próximo passo é escrever a estrutura e só depois os diálogos. Com o Breno, ainda ajudo na seleção dos atores, nos figurinos, vou para o set. Mudamos muitas coisas durante a gravação.”

Roteirista sem querer

“Saí do jornal O Globo em 2000 para ficar mais tempo com minhas filhas. Fui cuidar do conteúdo do site da produtora de cinema Conspiração e fiz uma entrevista com o cantor Zezé Di Camargo. Fiquei apaixonada pela história dos irmãos sertanejos. Dali surgiu o roteiro de Dois Filhos de Francisco, meu primeiro trabalho na área. Foi demais! As pessoas vinham me falar o quanto se identificavam com a trama.”

O cinema é delas

“O audiovisual é um meio machista, mas as mulheres estão reinvindicando espaço. Há meninas carregando câmeras, assumindo a direção de fotografia, exigindo salários iguais aos dos homens. Oriento um laboratório de escrita para negras e descobri que não há roteiristas negras no país. Nunca demos voz a elas. Isso é um absurdo!”

 
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