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Natural de Corumbá, ele é uma das vozes mais respeitadas do País no âmbito das discussões sobre a temática da palestra que o trouxe a Campo Grande.
REDAÇÃO | 6 de junho de 2019 - 13h10

Eremites: “Povos originários estão prontos para resistir ao desmonte”

Quem precisa se preparar para a resistência são os não-índios, diz mestre em História e Antropologia Social

“Trabalhismo, projeto nacional em desenvolvimento e povos indígenas em Mato Grosso do Sul” foi o tema da palestra organizada pelo PDT na última quarta-feira, 5. Na sede do diretório regional, foi dinâmica e bastante concorrida a presença de lideranças e interlocutores da sociedade para ouvir e debater as questões focalizadas pelo professor Jorge Eremites de Oliveira. Natural de Corumbá, ele é uma das vozes mais respeitadas do País no âmbito das discussões sobre a temática da palestra que o trouxe a Campo Grande.

Membro do corpo docente da Universidade Federal de Pelotas (RS), Eremites tem títulos e qualificações acadêmicas que o alçaram a um patamar de alta credibilidade na área. Doutor em História pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Arqueologia, é também mestre e doutor em Arqueologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS). Pesquisador da temática indígena, fez ainda o estágio de pós-doutoramento em Antropologia Social no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Lecionou também no campus da UFMS em Dourados, a partir de onde nasceu a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

Para Oliveira, é essencial demonstrar à sociedade a importância de incluir os povos indígenas em todo o processo de desenvolvimento. Ele descreve situações em que essa participação pode ser efetivada, como nas demarcações, no uso agro econômico da terra, nos investimentos em educação e saúde, na preservação e no fortalecimento da cultura nativa. Ao salientar o empenho do PDT neste debate, Eremites lembra que o partido tem a marca do compromisso histórico carimbado por personagens como o ex-governador Leonel Brizola, o professor e escritor Darcy Ribeiro e o cacique Mário Juruna, primeiro indígena eleito para a Câmara dos Deputados no Brasil.

E foi ao discorrer sobre as polêmicas das demarcações de terras e da liberação de armas que Eremites atacou o perfil do governo de Jair Bolsonaro (PSL). “O atual governo não é nem de esquerda e nem de direita. É governo de marcha-a-ré, governo do retrocesso. O movimento indígena está muito bem organizado. Este governo vai passar. Vejo luz no futuro. Este governo não chega a 18 meses. Os povos indígenas têm a sua pauta de lutas e estão bem organizados para a resistência. Quem não está organizado para isso são os não índios”, considerou.

 
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