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Operação Trunk, da PF, prendeu os acusados de integrar organização criminosa que tinha proteção de policiais rodoviários federais
O JACARÉ | 3 de setembro de 2019 - 10h26

Agentes da PRF, comerciantes e vereador viram réus pelo contrabando de R$ 70 mi em cigarros

Esta máfia era integrada por dois policiais rodoviários federais

A Justiça Federal aceitou mais uma denúncia contra uma nova Máfia do Cigarro, desta vez integrada por 16 pessoas, que inclui dois comerciantes, um vereador e dois policiais rodoviários federais. Além disso, o juiz substituto Sócrates Leão Vieira, da 3ª Vara Federal de Campo Grande, determinou o encaminhamento de provas contra policiais militares, que serão julgados pela Auditoria Militar da Capital.

Os réus foram alvos da Operação Trunk, deflagrada pelas polícias Federal e Rodoviária Federal no final de julho deste ano. Conforme despacho publicado nesta terça-feira (3), a denúncia foi aceita na quinta-feira passada (29).

Os chefes da organização criminosa seriam os comerciantes Francisco Job da Silva Netto, o Chico, 37 anos, em Ponta Porã (MS), e José Antônio Mizael Alves, o Zezinho, 39, em São Paulo (SP). O núcleo financeiro era dirigido por Elayne Cristina Dantes de Faria, 39.

Esta máfia era integrada por dois policiais rodoviários federais, Moacir Ribeiro da Silva Netto, o Theo, 46, e Alaércio Dias Barbosa, o Manco, 54. Com o dinheiro do contrabando de cigarro, conforme a Polícia Federal, Manco comprou um motel em Ponta Porã.

O grupo é acusado de contrabandear R$ 70 milhões em cigarros do Paraguai para São Paulo e a região Nordeste. O vereador Irismar Gadelha Soares (PSDB), do pequeno município de Riacho dos Cavalos, na Paraíba, também virou réu por integrar a quadrilha. O tucano continua foragido, conforme despacho do magistrado.

Os policiais estimam que o grupo teria causado prejuízo de R$ 42 milhões aos cofres públicos com a sonegação de impostos. A PF apreendeu 14 caminhões entre julho do ano passado e março deste ano.

Sócrates Vieria Leão aceitou a denúncia por corrupção passiva, organização criminosa e contrabando contra outros dez integrantes, que inclui os gerentes da facção, Fernando da Silva, o Ator, 35, Paulo Henrique Xavier, 28, e André Venâncio da Silva Mello, o Anjinho, 42.

Além do recebimento da denúncia, o magistrado determinou o encaminhamento das provas colhidas contra policiais militares para a Justiça Estadual. A Operação Trunk reuniu provas dos crimes de corrupção passiva, concussão e prevaricação.

Em maio do ano passado, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial na Repressão ao Crime Organizado) deflagrou a Operação Oiketicus, que prendeu cerca de 30 policiais militares envolvidos com a Máfia do Cigarro.

A maior parte dos militares foi condenada pela Justiça, mas está em liberdade graças a habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal. Eles poderão aguardar em liberdade o julgamento do recurso contra as sentenças proferidas pelo juiz Alexandre Antunes da Silva.

O combate ao crime organizado tem sofrido revés no Estado. Antes do julgamento, os réus têm obtido habeas corpus junto ao Supremo Tribunal Federal. Na hora da sentença, a pena tem sido irrisória, fazendo jus ao ditado popular de que o crime compensa.

 
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