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Redação | 2 de março de 2019 - 10h21

Se o povo não fizer sua parte, a dengue derrota a cidade

Com 6.414 notificações de janeiro a fevereiro deste ano – ou 11,4 por dia -, Campo Grande está às voltas com um problema terrível e nada novo: a ameaça de uma epidemia de dengue. E o que mais preocupa: o mosquito aedes aegypti  de volta a do tipo 2, a dengue hemorrágica, causadora de óbitos em pessoas de todas as idades nos diversos estados brasileiros. Para combater o inseto, as autoridades sanitárias estão adotando todas as providências, mas falta um elemento decisivo: a participação efetiva da população.

Multar com valores elevados os donos de imóveis abandonados e terrenos baldios e apenar também moradores flagrados despejando lixo em locais inapropriados são duas das penalidades que precisam ganhar corpo. A Câmara de Vereadores poderá atualizar e fazer mais severos os dispositivos legais já existentes, para inibir os refratários aos cuidados com a prevenção.

Se o povo, em sua totalidade, não assume a sua responsabilidade e não faz a sua parte, todo empenho do poder publico fica comprometido. A capital conhece bem o impacto causado pela omissão de alguns – todas as vezes que a dengue fez vítimas em Campo Grande ficou visível que muitos focos do mosquito estavam localizados em imóveis habitados e não-somente em terrenos baldios.

FORÇA-TAREFA - A partir deste sábado, a força-tarefa da Prefeitura está ampliada em número de servidores e equipamentos. Com mais de 60 agentes, viaturas e aparelhos de borrifo, a Secretaria Municipal de Saúde deflagrou mais uma etapa do Plano de Contingência, alarmada pela possibilidade real de a cidade chegar ao marco matemático que caracteriza uma epidemia: 300 casos para cada grupo de 100 mil habitantes.

De acordo com as autoridades sanitárias, só na região das Moreninhas a média apurada de notificações é de 1.160 por cada 100 mil habitantes. Outras regiões que preocupam são os bairros Tiradentes, Amambaí, Centro-Oeste, Los Angeles, Veraneio e Jardim Noroeste. Os agentes de saúde vão às casas, fazem a profilaxia básica, prestam informações, orientam, enquanto os veículos do fumacê fazem a varredura pelas ruas.

Tudo isso, no entanto, não tem sido suficiente porque quando as equipes interrompem a atividade parte dos moradores deixa de seguir as recomendações e negligenciam a vigilância doméstica. Garras plásticas e de vidro continuam sendo jogadas no quintal ou em recipientes de lixo sem a devida proteção. Os vasos de plantas, muitos do lado de fora da casa, seguem sendo reservatórios da água de rega e, portanto, viveiros de larvas do aedes.

ESPECULADORES – Contudo, um dos problemas mais difíceis de resolver – porque envolve pressão política influente – é o dos poderosos proprietários de imóveis. Há milhares de áreas particulares sem uso, umas abandonadas, outras utilizadas como depósito de material de construção e outros objetos e mercadorias, em, ambientes atrativos para a proliferação do mosquito.

Um conhecido empreiteiro, por exemplo, possui dezenas de imóveis – um deles de grandes proporções na região das Moreninhas -, vários provavelmente servindo de habitat do temível inseto. Outro conjunto de imóveis sem uso há anos, localizado na região do Bairro São Francisco, também apresenta características de abandono, com estruturas sem serventia há anos acumulando água de chuva.

Em 2015. Ao acolher denúncia da Defensoria Publica, a Justiça passou a notificar proprietários em Campo Grande que não cumpriam a determinação da Prefeitura para fazer a limpeza de seus imóveis. Em, virtude da intervenção do defensor publico Amarildo Cabral, 42 donos de imóveis foram notificados e receberam prazo de 10 dias para fazer a limpeza, sob pena de multas de R$ 1 mil a cada 24 horas.

Em Dourados, cinco anos atrás, num mutirão fiscalizador da Prefeitura 2,7 mil pessoas foram notificadas oficialmente por terem descumprido a Lei da Dengue e da Febre Amarela, pois estavam mantendo as suas residências, estabelecimentos comerciais ou terrenos baldios em condições impróprias. No município, quando um morador é notificado, há um prazo para limpar a área e eliminar os locais que podem se tornar focos de criadouros do mosquito transmissor da Dengue, Febre Chikungunya e Zika Vírus.

Ainda em 2014, em Corumbá, a Câmara de Vereadores tomou a frente e aprovou um projeto de lei aumentando o valor da multa para proprietários de imóveis com focos de doenças endêmicas. Em outros estados, grandes e pequenas cidades renovam as leis que possuem para endurecer as penalidades dirigidas aos proprietários de imóveis e demais moradores que ignoram a responsabilidade de fazer sua parte na prevenção e no combate aos focos do mosquito que mata.

CUIDADOS - A dengue é uma doença infecciosa aguda e de curta duração, de gravidade variável, causada por vírus, transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti infectado. Os principais sintomas são febres altas seguida de dores de cabeça, musculares, abdominais, náuseas, vômitos e manchas na pele. Além da dengue, o aedes aegypti transmite a zyka e a chykungunya, doenças de enorme potencial lesivo e que podem matar.

A importância de cada pessoa fazer a sua parte reside na força de vontade e na consciência de que a tarefa preventiva evita mortes e outros prejuízos dentro de casa e na casa dos vizinhos. O mais importante de tudo é não deixar o mosquito nascer. Evitando essa etapa, claramente deixará de existir também a doença. 

Os especialistas recomendam a cada habitante de uma comunidade procedimentos básicos para impedir a ação do mosquito. É só anotar e tomar estes cuidados:

- Não deixar água parada, destruindo os locais onde o mosquito nasce e se desenvolve, evita sua procriação. 

- Manter sempre bem tampados e lavadas com bucha e sabão as paredes internas de caixas d'água, poços, cacimbas, tambores de água ou tonéis, cisternas, jarras e filtros

- Impedir que se acumule água em pratos de vasos de plantas e xaxins. Pode colocar areia fina até à borda do pratinho.

- Plantas que possam acumular água devem ser tratadas com água sanitária. A proporção é de uma colher de sopa para um litro de água, regando no mínimo duas vezes por semana. Tirar sempre a água acumulada nas folhas.

- Não juntar vasilhas e utensílios que possam acumular água (tampinha de garrafa, casca de ovo, latinha, saquinho plástico de cigarro, embalagem plástica e de vidro, copo descartável etc.) e guardar garrafas vazias de cabeça para baixo.

- Entregar pneus velhos ao serviço de limpeza urbana. Caso precise mantê-los, guardar em local coberto.

- Deixar a tampa do vaso sanitário sempre fechado. Em banheiros pouco usados, dar descarga pelo menos uma vez por semana.

- Retirar sempre a água acumulada da bandeja externa da geladeira e lavar com água e sabão.

- Sempre que for trocar o garrafão de água mineral, lavar bem o suporte no qual a água fica acumulada.

- Manter sempre limpos os lagos, cascatas e espelhos d'água decorativos. Criar peixes nesses locais, eles se alimentam das larvas dos mosquitos

- Lavar e trocar a água dos bebedouros de aves e animais no mínimo uma vez por semana.

- Limpar frequentemente as calhas e a laje das casas, colocando areia nos cacos de vidro no muro que possam acumular água.

- Conservar a água da piscina sempre tratada com cloro e limpá-la uma vez por semana. Se não for usá-la, não cobrir com lonas ou plásticos.

- Manter o quintal limpo, recolhendo o lixo e detritos em volta das casas, limpando os latões e as lixeiras tampadas. Não jogar lixo em terrenos baldios, construções e praças. Chamar a limpeza urbana quando necessário.

- Permitir sempre o acesso do agente de controle de zoonoses em casa ou estabelecimento comercial.

 
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