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G1 | 10 de janeiro de 2019 - 14h26

Tucano alvo de delação vai conduzir articulação do governo Bolsonaro com Senado

Um político tucano alvo de delação premiada acusado de pedir e receber propina será o responsável por coordenar a interlocução do governoBolsonaro com o Senado. Paulo Bauer (PSDB-SC) foi acusado por um ex-diretor da Hypermarcas de ter pedido diretamente à empresa R$ 11,5 milhões entre os anos de 2013 a 2015. De acordo com o colaborador, o montante foi repassado por meio de contratos fictícios do grupo com outras empresas. As informações são do jornal 'O Globo'.

Bauer exerce o mandato de senador até 31 de janeiro depois de ter sido derrotado na eleição, ficando em quinto lugar. Irá integrar o time montado pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni , para auxiliá-lo na negociação com o Congresso. Ele ocupará na Casa Civil a Secretaria Especial para o Senado. A nomeação deverá ser oficializada apenas em fevereiro. A informação sobre a indicação do tucano foi confirmada por senadores e integrantes da pasta de Onyx.

Bauer é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ao pedir a prorrogação do inquérito em 18 de outubro de 2018, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, destacou que o ex-executivo da Hypermarcas Nelson José de Mello apresentou provas documentais das acusações e que há "fortes indícios" que contratos fictícios com três empresas terminaram por sustentar repasses de dinheiro ao tucano.

"Esse panorama traz fortes indícios de que o dinheiro dos contratos fictícios entre a Hypermarcas e a sua subsidiária Brainfarma e as empresas Ycatu, Instituto Paraná e Prade & Prade terminaram sendo repassados a Paulo Bauer", escreveu Dodge.

Mello detalhou em depoimento realizado em 2 de outubro de 2018 que em meados de 2012 Bauer foi recebido em um jantar em São Paulo pelo controlador do grupo, João Alves de Queiroz Filho. O jantar ocorreu porque a empresa tinha preocupação com um projeto do senador que impedia a cobrança de qualquer tributo sobre medicamentos, o que poderia prejudicar fabricantes de genéricos, na visão da Hyperfarma, por acabar com tributos sobre a importação de remédios. No jantar, Bauer teria pedido contribuições para uma eventual campanha sua ao governo de Santa Catarina em 2014. Mello diz que meses depois recebeu um pedido do senador para que fosse feito um primeiro "adiantamento".

"O senador pediu que a empresa adiantasse a contribuição que havia se comprometido a fazer quando da sua candidatura em 2014, no montante aproximado de R$ 300 mil", afirmou Mello, segundo o registro do depoimento.

Para justificar o primeiro pagamento, foi utilizado um grupo de comunicação, de acordo com o delator. Mello prossegue e relata que em meados de 2013 novamente recebeu pedido de dinheiro do senador. "Cerca de seis meses depois, ainda em 2013, foi novamente convidado para ir ao gabinete do senador, quando ele então pediu um outro adiantamento, desta vez de um milhão de reais, pois precisaria realizar um convencimento interno no Partido e ser escolhido para ir para a Convenção", afirma o delator.

Mello conta que ainda em 2013 recebeu novo pedido de "adiantamento", desta vez de R$ 3 milhões. Bauer indicou um assessor para operacionalizar este repasse. Nesta ocasião, o recurso foi repassado por meio de um contrato com um escritório de advocacia. A partir daí, os pedidos passaram a ser feitos por esse assessor e o montante repassado ao tucano, de acordo com Mello, chegou a R$ 11,5 milhões.

Bauer foi candidato em 2014 e ficou em segundo lugar na disputa, vencida pelo então governador Raimundo Colombo (PSD). O projeto que motivou a primeira reunião acabou sendo arquivado, apesar de o tucano ter insistido na sua aprovação.

Quando o inquérito foi aberto, em junho de 2018, Bauer afirmou que estava à disposição para "prestar esclarecimentos e comprovar a improcedência dos fatos narrados pelo delator”. O GLOBO tentou contato com o parlamentar e também com seu advogado do parlamentar, José Eduardo Alckmin, mas as ligações e mensagens não foram respondidas.

Reunião marcada

Após a publicação da matéria, Bauer afirmou que foi sondado e terá uma reunião ainda este mês com o ministro Onyx.

"Terei reunião com ministro da Casa Civil antes do final do mês para tratar de vários assuntos. Na ocasião certamente vamos abordar o tema visto que ele fez, ainda em dezembro, uma sondagem sobre minha disposição em colaborar com o governo na interlocução com o Senado. Disposição existe, mas ela não está condicionada ao exercício de cargos visto que fui eleitor declarado do presidente Bolsonaro no 2° turno e desejo que seu governo seja um sucesso para o bem do País. É preciso, entretanto, verificar a questão formal para realizá-la",  disse Bauer.

O senador não quis comentar a investigação da qual é alvo e indicou seu advogado. 

 
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