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REDAÇÃO | 15 de maio de 2020 - 07h33

Quase 300 mil dólares caíram limpinhos nas mãos de Marcelo Iunes

Nada menos que US$ 50 mil - ou R$ 290,5 mil na cotação de ontem (quinta-feira), com o dólar a R$ 5,81 – caíram nas mãos do prefeito Marcelo Iunes (PSDB), sem burocracia, a toque de caixa. E o prefeito não precisará prestar contas como manda o figurino porque trata-se de

uma doação do Banco de Desenvolvimento que opera com as linhas do Fundo Financeiro de Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata).

Esse tipo de operação só aconteceu porque o Fundo destinou US$ 300 mil em moeda norte-americana para ajudar quatro municípios brasileiros (Criciúma, Itajaí, Corumbá e Ponta Porã) no combate e prevenção ao Covid-19 – uma espécie de auxílio-emergência para as prefeituras.

Coube a Corumbá a quantia de US$ 50 mil, com um detalhe: a verba é exclusiva para aquisição de equipamentos de adaptação de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) para assistência específica pacientes infectados pelo Covid-19.

 O que os corumbaenses esperam é que o prefeito utilize todo o dinheiro nas finalidades para as quais foi doado. Entretanto, como não se trata de recurso obtido por meio de um empréstimo, sem necessidade de contrapartida ou garantias, e o processo de prestação de contas não tem os rigores das redes de controle, surgiram questionamentos na cidade.

 A população leva em conta os antecedentes de Marcelo Iunes,que constantemente está nas páginas do noticiário político protagonizando suspeitas por práticas imorais, como a nomeação e o favorecimento de familiares em contratos com a Prefeitura e editais de obras com ispensa de licitação.

PERIPÉCIAS - Entre as peripécias de Iunes com o dinheiro do contribuinte está a série de contratos para compras e serviços feitos sob o véu cinzento da suspeição: sem licitação – num uso desmedido do instituto da inexigibilidade – ou simplesmente beneficiando familiares ou empresas de fachada. Um dos casos recentes foi a contratação, em caráter emergencial, de materiais de consumo e de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para combate ao coronavírus.

A empresa sortuda, sem qualquer esforço e livre de concorrência, a Império Comércio de Produtos Hospitalares, tem seu endereço num imóvel vazio em Campo Grande e um dono que mora e foi candidato em Terenos.

Abocanhou R$ 2 milhões 028 mil 640, com vigência de 180 dias mediante aditivo de prorrogação contratual.

MOTIVOS - A desconfiança dos corumbaenses, principalmente os contribuintes que querem saber para onde vai o dinheiro com que pagam os impostos, tem outras razões. Entre 2017 e 2019, Marcelo Iunes mandou pagar R$ 982 mil para uma empresa que passou pelas mãos de dois familiares de primeiro grau. No início, com o nome Citolab, a empresa agraciada tinha dois sócios: José Batista Aguillera Iunes e Amanda Cristina Balancieri Iunes, coincidentemente um irmão e a esposa do prefeito.

Mais tarde, com outro nome – JBA Iunes -, mas surfando na mesma onda do negócio lucrativo com a Prefeitura, o empreendimento selou a previsão de mais um apetitoso repasse: R$ 101 mil 485,17.

A especialidade empresarial: prestação de serviços de exames laboratoriais, como biópsias, glicemia, colesterol e ácido úrico.  Não é difícil identificar a associação afetiva e fraternal entre quem paga e quem recebe o dinheiro dos cofres públicos – as iniciais JBA da firmas contratada são de José Batista Aguillera, o irmão.

 
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