Redação | 9 de junho de 2018 - 09h47

Pesquisa derruba "vitória antecipada" de Odilon, com dois nos calcanhares

"Agora qualquer um [dos adversários] não me assusta. Não sei se haverá segundo turno aqui no Estado. Eu penso que não. Estou convicto de que não haverá segundo turno”.

Difícil afirmar se tal manifestação provém de excessiva autosuficiência, arrogância, auto-encorajamento ou de uma inocente e admissível provocação em temporada pré-eleitoral. O que causa gênero é que a declaração partiu do juiz federal aposentado Odilon de Oliveira (PDT), o pré-candidato que quer chegar ao Governo de Mato Grosso do Sul ancorado no perfil ficha-limpa da honestidade, da seriedade e da responsabilidade. Com estes itens, que o transformaram na principal novidade entre os inscritos para o enfrentamento sucessório regional, quem sabe outros predicados, como humildade e prudência, sejam supérfluos. Ou não?

O magistrado, cuja carreira o alçou ao topo das referências justiceiras do País como caçador de traficantes, garimpou com sua fama a atenção e o apoio de diversos segmentos da sociedade, alcançando com isso a dianteira das pesquisas. E ele faz desse ranking sua referência  para extrair da probabilidade estatística a certeza matemática-política com que proclama antecipadamente o que vai acontecer nas eleições de outubro próximo.

CENÁRIOS - As pesquisas, no entanto, além de fotografarem momentos específicos e episódicos não servem de base confiável para amparar o que Odilon afirma. Todas as consultas de intenções de voto publicadas até agora indicando, as possibilidades de cada candidatura em diferentes cenários, desmonta a certeza do pedetista. Em praticamente todas elas, mesmo com Odilon em primeiro, a distância que o separa dos seus rivais mais próximos é muito curta, nada folgada. E a soma dos votos projeta a necessidade do segundo turno.

Exemplo atual pode ser conferido na mis recente amostragem, realizada pela Ranking Comunicações e Pesquisas, em que o pré-candidato do PDT não consegue livrar sobre a concorrência uma diferença capaz de liquidar o pleito já no primeiro turno. Longe disso. As taxas de intenção de voto atribuídas ao segundo colocado, o ex-governador André Puccinelli (MDB), e ao terceiro, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), confirmam que a disputa ficou polarizada entre os três, até o momento.

Em 1.200 entrevistas com eleitores de 30 municípios, 2,83% de margem de erro para mais ou para menos e registrada na Justiça Eleitoral (MS-04644/18 e BR-02574/18), a pesquisa Ranking verificou em dois cenários que a tendência de segundo turno está bem delineada e numa balança de igualdade. E com um detalhe significativo: as taxas de indecisos, dos que não souberam responder ou não responderam são bem altas.

Na espontânea Odilon tem 13,33%, Puccinelli 10,58% e Azambuja 10,08%, um quadro reconhecido cientificamente nas pesquisas como de empate técnico. Vêm a seguir o ex-deputado Coronel David, do PSL, e o ex-prefeito douradense Murilo Zauith, do DEM, cada um com 1,58%; João Alfredo, do PSOL (0,25%); e Meire Xavier (0,08%) completam este cenário, ao passo que 62,52%  não sabem ou não responderam à consulta. Só a soma de Puccinelli e Azambuja (20,66%) já leva a decisão para o segundo turno. 

Na consulta estimulada, Odilon surge com 28,08%, enquanto Puccinelli tem 23,41% e Azambuja 22,33%. Os demais: Coronel David (4,16%), Zauith (2,91%), Humberto Amaducci, do PT (1,58%), Meire (0,91%) e João Alfredo (0,50%). Não souberam ou não responderam 16,12%. Também neste cenário e até descontando a presença de Zauith, que não confirmou sua pré-candidatura, o pretndente do PDT não consegue metade dos votos mais um para gargantear a previsão de que sai governador já no primeiro turno.

Respeitado por seu histórico na magistratura e estreante em disputa eleitoral, Odilon de Oliveira não etá brincando quando afirma estar convicto de que não haverá um  segundo turno. Que seus adversários façam a leitura dessa declaração e a comparem com o que desenham as estatísticas quantitativas e qualitativas. Provocação, excesso de confiança, vaticínio instintivo ou arrogância ficam como opções de interpretação. 

Certeza mesmo só uma: para desenvolver brilhante carreira na magistratura, tendo curso superior, doutorado, amplos conhecimentos gerais, domínio de números e letras, o juiz Odilon jamais terá desaprendido regras elementares de matemática. Tanto a da ciência exata como a imprevisível, da política.

 
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