Redação | 11 de maio de 2018 - 13h16

“Não tivemos ditadura”: Odilon golpeia história de seu partido

Partido Democrático Trabalhista. Este é o nome completo do PDT. Traduz dois maiúsculos significados históricos de lutas populares e sociais reconhecidas no Brasil e no mundo: a democracia e o trabalhismo. Conhecer e reconhecer tais significados deveriam constar da cartilha básica de qualquer filiado do PDT, do mais anônimo ao mais famoso.

Porém, às vezes a teoria na prática é outra. Um desses exemplos está no PDT de Mato Grosso do Sul. Seu militante de maior importância e visibilidade hoje, o pré-candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul, o juiz federal Odilon de Oliveira, acaba de demonstrar que pouco se dá ao papel que representa para a sigla e diante da opinião publica.

Ao declarar que não houve ditadura no Brasil e que o governo militar fez muito pelo País, Odilon demonstrou de três, uma: ou não tem afinidade com o partido ao qual se filiou e cujo programa jurou cumprir; ou desconhece a história não só do PDT e do trabalhismo, mas da realidade brasileira de seu tempo; ou, por fim, na falta de maior clareza, preferiu utilizar chavões maquiadores para expressar sua simpatia pelo obscurantismo político e ideológico.

O jornalista e ex-deputado Sérgio Cruz, que vai concorrer a uma vaga na Câmara Federal pelo mesmo PDT de Odilon, estranhou as declarações do correligionário. E em seu programa diário no canal eletrônico Via Morena não o perdoou. Disse que o pré-candidato deu as costas à história e fez Leonel Brizola tremer no túmulo. E foi além, ao citar que a fala infeliz do magistrado ocorreu na véspera de ser noticiado que, segundo a CIA (principal órgão de inteligência dos Estados Unidos e uma das ferramentas cerebrais e operacionais do golpe militar de 1964), o general Ernesto Geisel, penúlltimo presidente militar, autorizou execuções sumárias de pessoas consideradas inimigas do regime.

Para boa parte dos pedetistas, especialmente dos pensadores e zeladores conceituais do ideário trabalhista inspirado nos pensamentos de Brizola e Darcy Ribeiro, não poderia haver intervenção mais desastrada para um candidato da legenda que pontua entre os primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto.

Há quem acredite que as palavras de Odilon de Oliveira sejam um aceno de aviso para preparar o eleitorado sobre possível adesão a candidaturas mais conservadoras. Duas delas estão à vista, as de Jair Bolsonaro (PSL), um extremista de direita e seguidor de concepções próprias do fascismo, e Álvaro Dias (Podemos), legenda em que se abriga o pré-candidato ao Senado Chico Maia, membro do bloco de apoio de Odilon.

A suposição é reforçada por um fato intrigante: até agora, mesmo em pré-campanha desde dezembro, há cinco meses que não se vê ou não se ouve Odilon de Oliceira divulgando minimamente o pré-candidato de seu partido à presidência da Republica, Ciro Gomes. De outro lado, o pré-candidato Álvaro Dias foi recebido por ele com mimos no ato de lançamento da pré-candidatura de Maia ao Senado.

Aos pedetistas que apostam suas fichas no apelo midiático do juiz Odilon – como gosta de ser chamado – levanta-se agora uma dúvida no horizonte da disputa e dos debates eleitorais, sobre qual será a reação dos eleitores ao questionamento sobre o grau de compromisso de seu candidato a governador com o programa do PDT, com o legado da democracia trabalhista de Leonel Brizola e Darci Ribeiro e até mesmo com o instituto da fidelidade partidária, algo que um homem executor da lei não pode deixar em dúvida.

A polêmica declaração de Odilon de Oliveira foi feita no dia oito deste mês, em entrevista ao radialista Joel Silva, no Programa Capital Meio Dia (Rádio FM Capital), de Campo Grande. Um internauta quis saber sobre integrantes de antigas guerrilhas ocupando espaços políticos no País e como era a ditadura militar em 1969, ano em que Odilon servia ao Exército; Na íntegra, o que ele afirmou: “Segundo a minha conceituação, nós não tivemos ditadura. Nós tivemos um governo militar. E um governo militar que fez muito pelo Brasil”.

Assim, como se vê, segundo a conceituação de Odilon, governo que toma o poder sem voto e pelas armas não é ditadura. Com isso, será difícil ao candidato do PDT provar ao eleitor que é, de fato e de direito, candidato do PDT.

 
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