MS Notícias - Sua Refência em Jornalismo no MS
O presidente Jair Bolsonaro (PSL), em conversa com o ministro Sergio Moro (Justiça)
TERO QUEIROZ | 5 de setembro de 2019 - 10h06

Mesmo sem malícia política Moro atropela Bolsonaro com 54% de apoiadores

Bolsonaro afirmou que Moro é ingênuo e não tem malícia política

Mesmo sem “malícia política”, como disse Jair Bolsonaro (PSL), a população apoia mais Sérgio Moro, do que o próprio Bolsonaro, é o que revela a pesquisa nacional do Datafolha, realizada de quinta-feira (29) a sexta-feira (30), do mês passado. 

O ministro da Justiça e Segurança é conhecido por 94% dos entrevistados, a taxa mais alta da Esplanada. 54% avaliam a gestão de Moro frente a pasta, como ótima ou boa. 24% diz ser regular e 20% acham ruim ou péssima, outros 2% não souberam responder.

O titular da Segurança ‘atropelou’ o próprio chefe, que é avaliado com apenas 29% de aprovação. Outras 30% acham regular e cerca de 38% acham ruim ou péssima a gestão de Bolsonaro. Além de 2% que não souberam responder.

Se traçado comparativo, as revelações da Vaza Jato não afetaram muito ministro, isso entre os populares, porque em pesquisa feita no início do ano, Moro já apresentava números semelhantes, à época com 55% do apoio popular.  

A principal briga de Moro no governo é para que Bolsonaro não interfira na escolha de cargos na Polícia Federal, que está sob o comando de sua pasta, se o presidente ‘passa o carro na frente dos bois’ a autoridade de Moro pode “saltar de um penhasco”.

 “Está na lei que eu que indico, e não o Sergio Moro. E ponto final", disse Bolsonaro, em 22 de agosto, indicando que poderia trocar o diretor-geral da PF. Quem ocupa o cargo é Mauricio Valeixo, escolhido por Moro, com quem trabalhou nos tempos de força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Na Câmara, o ministro viu pontos de seu pacote anticrime serem barrados ou alterados pelos deputados. É o caso da execução da pena após condenação em segunda instância, item considerado caro ao ex-juiz e que foi retirado do projeto. Bolsonaro, por sua vez, disse que o pacote, prioridade para Moro, não é visto com urgência pelo governo federal. 

Bolsonaro também afirmou que o nome de Moro não seria aprovado pelo Senado em uma eventual indicação para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) — nomeação esta que, em maio, disse ter reservado ao ex-juiz, no que voltou atrás logo em seguida.

As alfinetadas do presidente, contudo, não foram suficientes para descolar sua imagem da de Moro. Os estratos bolsonaristas são os que apresentam os mais altos índices de apoio ao ministro.

Entre os que conhecem Moro, consideram sua gestão como ótima ou boa 80%. Entre os simpatizantes do PSL, 97% apoiam o ex-juiz. 

Moro tem apoio mais discreto entre estudantes (38% de avaliação positiva), moradores do Nordeste (40%) e desempregados (45%). Já Bolsonaro tem alguns de seus piores índices de desempenho nesses mesmos segmentos, acumulando 19%, 17% e 18% de ótimo ou bom, respectivamente.

Outro ponto questionado pelo Datafolha se refere ao que os entrevistados consideram o principal problema do país quando levadas em conta as áreas de atuação do governo federal. A saúde foi citada por 18%, seguida por educação e desemprego, com 15% cada um. 

Segurança pública, sob responsabilidade de Moro, foi mencionada por 11%. No levantamento de julho, as questões relacionadas à violência foram apontadas como o maior problema brasileiro, com 19% das menções. 

O Datafolha ouviu 2.878 pessoas em 175 municípios de todas as regiões do país. O nível de confiança é de 95%.

Fonte: Folha de S. Paulo 

 
Subir ao TopoVoltar
PlataformaPlataforma de Notícias DothNews