Presidente Michel Temer e sua nova Ministra do Trabalho Cristina Brasil.
Tero Queiroz | 5 de janeiro de 2018 - 10h10

Filha de condenado no mensalão e acusada na Lava Jato assume pasta do Trabalho

"Temer se vira com o que tem; coloca de Ministra da Industria, Comércio e Serviços, filha de Roberto Jefferson, Cristiane Brasil, que é investigada na Lava Jato e condenada pelo Tribunal do Trabalho"

Publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (5) a exoneração, a pedido, de Marcos Pereira do cargo de ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Nogueira apresentou pedido de demissão no dia 27 de dezembro, sob a justificativa de se candidatar a um cargo eletivo no pleito deste ano.

Em seu lugar assumirá Cristiane Brasil, deputada federal pelo PTB do Rio de Janeiro. A nomeação da nova ministra foi publicada na edição de quinta-feira (4) do DOU. A escolha da deputada foi anunciada na tarde de quarta-feira (3) após reunião entre o presidente Michel Temer e o presidente nacional do partido, Roberto Jefferson, que é pai de Cristiane.

Formada em Direito, a carioca Cristiane Brasil ingressou na carreira política em 2003 e exerceu três mandatos de vereadora da cidade do Rio de Janeiro. Em 2014, foi eleita deputada federal.

O Planalto confirmou a nomeação, mas afirmou que a nova ministra do Trabalho foi indicação oficial feita pelo PTB. O PTB é conhecido por integrar a base de apoio de governos de diferentes orientações e ocupar cargos públicos em troca desse apoio. A maioria dos parlamentares é da bancada ruralista.

Jefferson até se emocionou diante das câmeras. Disse que a escolha é um resgate da imagem da família, depois do mensalão que ele mesmo delatou. Foi condenado a sete anos, ficou preso 14 meses.

Mas o nome de Cristiane Brasil também aparece em delações da Lava Jato. Ela foi citada na delação do ex-executivo da J&F Ricardo Saud. Ele disse que a deputada participou da negociação para a compra do apoio do PTB por R$ 20 milhões para a campanha de Aécio Neves à Presidência em 2014.

Outro delator, Leandro Andrade Azevedo, da Odebrecht, contou que, em 2012, entregou pessoalmente R$ 200 mil a Cristiane Brasil a pedido do deputado Pedro Paulo, do PMDB do Rio de Janeiro.

“E ela mesma foi retirar esse dinheiro: R$ 200 mil, anotado em cima. Ela pegou esse valor. Ela estava com uma mochila. Pegou esse valor, botou dentro da mochila, agradeceu e saiu”, disse ele.

O deputado Pedro Paulo passou a ser investigado, mas o ministro Edson Fachin disse que essa menção a Cristiane Brasil “ainda precisa ser aprofundada”. 

Cristiane surgiu como solução para outro embaraço de Temer. A desindicação do deputado Pedro Fernandes, do PTB do Maranhão, para o cargo, depois do veto imposto pelo ex-presidente José Sarney.

 
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