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BRASÍLIA, FOLHAPRESS | 13 de maio de 2019 - 11h23

Empresário que espera ajuda do governo está perdendo tempo, diz dono da Caoa

Inicialmente, a reunião entre Guedes e o dono da Caoa contaria com a presença de Doria

O empresário que quiser investir no Brasil não deve esperar qualquer tipo de incentivo por parte do governo de Jair Bolsonaro (PSL), afirmou, nesta segunda-feira (13), o fundador do grupo Caoa (Grupo automotivo), Carlos Alberto de Oliveira Andrade.

Andrade deu as declarações ao deixar o Ministério da Economia, em Brasília, onde esteve reunido com o ministro Paulo Guedes.

"O empresário que estiver pensando que vai receber ajuda do governo está perdendo tempo, porque cada um é que tem que fazer a sua parte. O governo tem que fazer a dele e o empresário tem que fazer a sua", afirmou.

Ele disse que o governo não acena com incentivos como feito por administrações anteriores. Os governos de Dilma Rousseff e Michel Temer estão entre os que lançaram pacotes para tentar socorrer a indústria.

"Esperar incentivos e coisas do governo que aconteciam no governo antes (...) no nosso caso, nós nunca tivemos nenhum benefício do BNDES nem de nenhum órgão do governo. Nós fizemos todos os nossos investimentos até hoje, que estamos fazendo e que vamos fazer é com recursos próprios", afirmou.

Andrade negou que a conversa com Guedes tivesse como objetivo pedir ajuda ao setor automobilístico.

"Temos intenção de fazer novos investimentos no país, e a gente quer saber o que vai ser o futuro, o que vai acontecer com o país", disse.

A Previdência, segundo o empresário, foi o grande tema da reunião com Guedes. "Tudo no Brasil está dependendo da Previdência. Se a Previdência passar, os nossos investimentos se multiplicarão, serão bem maiores. Vamos criar empregos, vai haver uma criação de empregos séria, grande."

O empresário comentou ainda a potencial guerra fiscal que está se instalando no país, após o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), decidir reduzir o ICMS (imposto sobre mercadoria e serviços) em três setores, entre eles o automotivo. Em Goiás, o governador Ronaldo Caiado sinalizou com um aumento de ICMS para melhorar as finanças do estado.

"Isso nos prejudica, mas o Ronaldo Caiado tem que olhar o seu estado, que está numa situação muito delicada", disse. "Mas não vai ser por esse motivo que vamos deixar Goiás."

Inicialmente, a reunião entre Guedes e o dono da Caoa contaria com a presença de Doria. O tucano, no entanto, antecipou a ida a Nova York, onde busca atrair investimentos para São Paulo e estudar a política de segurança pública da cidade americana.

"O João tem interesse em que haja mais investimentos em São Paulo. O que o João tinha que fazer, já fez para a GM [General Motors]. Claro que se houver investimentos na Ford, nós vamos ser também beneficiados", disse. A Caoa está em negociações com a Ford para comprar a fábrica da montadora em São Bernardo do Campo (SP).

"Já estivemos com chineses que estão interessados em fabricar carros conosco lá. Existe uma grande possibilidade de isso acontecer e a Ford voltar a funcionar, absorvendo todos os empregos. Vai depender das negociações com a China e com o que pode acontecer com a fábrica [de São Bernardo]."

As conversas também incluirão sindicatos e fornecedores. "A ajuda que queremos do governo é que o governo resolva o problema da Previdência e dessa crise que o Brasil está passando, para que a gente tenha confiança em fazer o investimento."

Segundo ele, haverá novo encontro com Guedes, Doria e com o secretário de Fazenda, Henrique Meirelles, mas sem data marcada.

 
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