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REDAÇÃO | 12 de abril de 2019 - 09h31

Em audiência no Senado, indígena dá "aula" à senadora de MS

Senadora do PSL abriu a boca para ataque e recebeu aula sobre povos

A senadora Soraia Thronicke (PSL/MS) poderia ter evitado o constrangimento de quinta-feira (11), durante uma audiência publica sobre saúde indígena na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado.

Ao abrir sua intervenção a senadora já cometeu uma gafe, ao elogiar o governo de Jair Bolsonaro (PSL) por respeitar as minorias, exemplificando: “Nós temos o Ministério da Mulher, coisa que não tínhamos”. E daí em diante desfiou os argumentos para embasar o que considera contradições das causas indígenas. Fez uma comparação entre a “situação miserável” dos índios, que ocupam em torno de 13% do território brasileiro, e “a área nossa, que é agricultável, de 7%”.

Levantou, em seguida, com ar vitorioso, a indagação: “Tem dinheiro destinado, tem política pública destinada, então porque eles [os índios] continuam miseráveis com 13% do território nacional enquanto nós utilizamos 7%?” E completou, dirigindo-se a quem estava presente, entre os quais a índia Sônia Guajajara: “Essa terra não é de vocês! A terra é da União. Quem usa o índio? Porque o índio era para estar muito bem. Então, a gente quer saber quem está fazendo isso com os índios”.

O troco veio demolidor da palavra e dos conhecimentos de Sônia Guajajara, que encarou firmemente a senadora e disparou: “Infelizmente não dá pra gente escutar aqui, parlamentar chegar aqui e pregar a sua visão racista, alienada, preconceituosa contra nós e ficar calada. Porque a sua fala, senadora, retrata muito bem o pensamento que tem este setor ruralista que compõe a Câmara e o Senado, que quer a qualquer custo flexibilizar a legislação ambiental para poder explorar os territórios”.

Sônia Guajajara conhece a causa. Formada em Letras e Enfermagem, pós-graduada em Educação Especial, Sônia nasceu na aldeia da tribo Guajajara/Tentehar, Terra Indígena Araribóia, no sudoeste do Maranhão. É uma das líderes indígenas mais respeitadas do mundo e com honrarias de vários institutos humanistas dentro e fora do Brasil. Sabe, sobre o assunto, o que está falando. E Soraia teve que ouvir mais da guajajara, olho no olho.

“A visão que você tem, de terra, é muito diferente da que a gente tem. Não dá pra você olhar para nós, povos indígenas, e pensar que a gente tem o mesmo entendimento de território como o seu, que é de exploração, destruição, pensando em lucro, em dinheiro. Para nós, o território é sagrado, precisamos dele para existir”, continuou Sônia. Ela citou o olhar ruralista para os territórios indígenas, classificando-os de terra improdutiva. E fez o contraponto: “Chamamos isso de vida. O mundo inteiro está preocupado com o aquecimento global, os efeitos das mudanças climáticas. O mundo inteiro está pensando em formas de reduzir a emissão de gás carbônico para que a gente tenha o equilíbrio do clima”.

MUNICIPALIZAÇÃO

Na audiência, Sônia Guajajara, que é a coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, reivindicou a manutenção da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e criticou a intenção de municipalizar o atendimento médico a indígenas.

O secretário da Sesai, Marco Antonio Toccolini, também presente no debate, afastou a possibilidade de municipalização. Sônia Guajajara denunciou o que chamou de desmonte da política indigenista no governo do presidente Jair Bolsonaro.

 

 
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