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REDAÇÃO | 20 de março de 2019 - 10h18

Bioceânica: com caixa de Itaipu, MS e PR abrem a rota dos sonhos

Os dois estados aceleram o passo mais importante na integração latino-americana

Dois acontecimentos em estados diferentes aceleraram esta semana a caminhada para a integração econômica, social,cultural e ambiental da América Latina. Em Porto Murtinho, na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, e em Curitiba, capital do Paraná, dirigentes da Itaipu Binacional e representantes dos governos estaduais ataram mais um elo na parceria pela efetivação da rota bioceânica.

Em terras sul-mato-grossenses, o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, representou o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) ao receber o diretor-geral da Itaipu no Paraguai, José Alberto Alderete, e outros dirigentes da hidrelétrica, em Porto Murtinho. O objetivo: identificar e definir o local em que será construída a ponte entre o município brasileiro e a paraguaia Carmelo Peralta.

Sobre o Rio Paraguai, a obra será financiada pela Itaipu e será o primeiro grande passo para a concretização do corredor intermodal ligando o Brasil aos portos do Chile, abrindo e encurtando o caminho de saída para o Pacífico. O ex-ministro Carlos Marun, o deputado federal Vander Loubet e o ex-prefeito murtinhense Heitor Miranda, que estão entre os principais defensores da rota, acompanharam a visita.

Verruck, disse que os esforços serão concentrados para concluir todos os projetos e trâmites burocráticos em 12 meses de modo que a obra seja iniciada para garantir sua conclusão até agosto de 2023. O investimento estimado é de US$ 75 milhões. Alderete afirmou que as obras serão um marco” para a integração sul-americana. “Após 53 anos da construção da Ponte da Amizade sobre o rio Paraná, Itaipu constrói mais uma ponte internacional. A ponte ligando Porto Murtinho a Carmelo Peralta será a primeira sobre o Rio Paraguai a unir os dois países”.  

Para Vander Loubet (PT/MS), a importância da bioceânica é muito maior que o ganho econômico. “Precisamos redimensionar esse investimento em seu mais amplo custo-benefício. Não é só ganho no desenvolvimento econômico e comercial. É ganho também no fortalecimento afetivo dos laços entre os povos do continente, é a soma de intercâmbios e experiências culturais e sociais, é a afirmação de interesses comuns em sustentabilidade, soberania, avanços educacionais e técnico-científicos”, argumentou.

O ex-prefeito Heitor Miranda (PT) e o prefeito de Porto Murtinho, Derlei Delevatti (PSDB); ressaltaram a luta histórica dos povos sulamericanos e o empenho de forças políticas e sociais que nos últimos anos se dedicaram à propagação dos benefícios da bioceânica, lutando como sonhadores pelo investimento no qual muitos não acreditavam. “Esta é a realização de um sonho que não é meu, nem de uma pessoa isoladamente, Meu irmão, o ex-governador Z|eca do PT, também faz essa ressalva, mesmo sendo ele um dos mais ardorosos defensores desta bandeira, a qual ele chegou a desfraldar quase solitariamente. A luta é de todos, portanto. E os méritos são de todos que contribuíram com esse final feliz”, disse Heitor.

De acordo com o projeto que está sendo sacramentado, o local escolhido para construir a ponte fica a pouco mais de 10 km à direita da cidade de Porto Murtinho, subindo o rio. No lado paraguaio fica a cidade de Carmelo Peralta. Para tanto será preciso implantar um trecho de 11 km de asfalto costeando o rio, a partir da BR-267. No lado paraguaio serão mais quatro km até a área urbana de Carmelo Peralta.  

A obra terá como parâmetro a ponte construída que liga as cidades de Paranaíba (MS) e Porto Alencastro (MG). Esse modelo não atrapalha a navegabilidade do rio, pois os pilares serão erguidos nas margens e a uma altura que permite a passagem das embarcações. A extensão total da ponte terá 680 metros, de uma barranca a outra do rio, 12 metros de largura com mais uma passarela lateral para pedestre de um metro de largura. O vão entre os dois pilares terá 380 metros, mais 150 metros de cada pilar até a margem. A altura dos pilares que sustentarão os cabos será de 95 metros.

NO PARANÁ 

Na segunda-feira, 18, o governador paranaense Ratinho Jr (PSDB) recebeu em Curitiba o diretor-geral da Itaipu Binacional, general Joaquim Silva e Lima, a quem reivindicou projetos estratégicos do Estado. Entre eles está o corredor bioceânico ligando o Porto de Paranaguá ao de Antofagasta, no Chile, e a manutenção da distribuição dos royalties nos moldes atuais, quando o anexo C do Tratado for revisado.

Apaixonado pela ideia de fazer do Paraná um “hub” logístico da América do Sul, o governador Ratinho Jr sonha em criar uma rota bioceânica, que permita ligar o Porto de Paranaguá, no Atlântico, ao de Antofagasta, no Pacífico, como conexão da rota que já está sendo materializada em Mato Grosso do Sul. Cargas do Paraná poderiam seguir para o Chile; de lá e de outros países vizinhos poderiam vir mercadorias para abastecer o mercado brasileiro, principalmente, e até para exportar via Atlântico, de acordo com as rotas de interesse dos exportadores.

Sobre a questão dos royalties, a partir da revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, em 2023, o diretor-geral brasileiro explicou que foi montado um grupo de trabalho dentro de Itaipu para propor uma solução para esse outros temas relacionados à negociação com o Paraguai.

Luna lembrou ao governador a contribuição que Itaipu já deu e vem dando ao Paraná, desde a criação da Lei dos Royalties, com a distribuição de recursos ao Estado e aos 16 municípios que recebem o benefício (Santa Helena, Foz do Iguaçu, Itaipulândia, Diamante D’Oeste, Entre Rios do Oeste, Guaíra, Marechal Cândido Rondon, Medianeira, Mercedes, Missal, Pato Bragado, São José das Palmeiras, São Miguel do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu e Terra Roxa, no Paraná, e Mundo Novo, em Mato Grosso do Sul. No total, foram pagos mais de US$ 11 bilhões. 

 
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