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Senador Márcio Bittar, do MDB do Ace
REDAÇÃO | 28 de maio de 2019 - 12h33

Agora senador, ex-dirigente da UCE mergulha no direitismo

Márcio Bittar faz mobilização para defender tese de que aquecimento global é uma farsa

No início dos anos 1980, um grupo de adolescentes e jovens estudantes sacudiu Campo Grande com seus ideais e o empolgado envolvimento político. Os indutores principais daquela mobilização de alunos universitários e secundaristas eram a defesa de teses da educação, como o ensino publico gratuito, e as lutas contra a ditadura oxigenadas por bandeiras como as eleições diretas em todos os níveis, a anistia, o fim dos chamados entulhos autoritários, a legalização de partidos de esquerda que estavam na clandestinidade, a defesa do meio ambiente e até o rompimento com o FMI (Fundo Monetário Internacional).

Aquele tempo passou e alguns de seus protagonistas sequer fazem questão de recordá-los ou de reconhecer que a eles pertenceram como portadores de esperanças transformistas ou revolucionárias. Um deles é Márcio Bittar. Foi presidente da antológica União Campo-grandense de Estudantes (UCE) quando o movimento secundarista retomou a entidade, arrancando-a, em acirradas eleições, das mãos de militantes ancorados nos pensamentos conservadores, de direita. 

Ex-militante dos quadros mais destacados do PCB (Partido Comunista Brasileiro) em Mato Grosso do Sul, Bittar é contemporâneo de outras personalidades que ainda continuam dando as cartas, mas com coringas que atacam e renegam o próprio passado ideológico, entre os quais o ex-deputado estadual, ex-deputado federal e conselheiro do Tribunal de Contas, Waldir Neves.

Bittar mudou-se para o Acre, aonde sua família é proprietária rural. Lá, além de cuidar dos negócios domésticos, manteve o faro e a vocação para a política. Abraçou as organizações linkadas no conservadorismo e, usando de sua inteligência e capacidade, passou a escalar diferentes partidos e, ganhando posições de destaque, a conquistar mandatos eletivos. Tornou-se deputado estadual e federal. Não obteve sucesso na primeira tentativa de chegar ao Governo, mas em 2018 se elegeu senador pelo MDB, depois de transitar por PPS e PSDB.

Proprietário rural e porta-voz do ruralismo, Bittar está cotadíssimo para disputar e vencer a disputa pelo governo acreano em 2022. Um dos pontos de apoio é o perfil político-ideológico, caracterizado pela feroz intransigência com as ideologias de esquerda, que defendia na juventude, e um contumaz carrasco verbal do PT. No Congresso Nacional está entre os parlamentares mais atuantes e goza de trânsito privilegiado no alto clero. Não é de estranhar que faça parte da legião bolsonarista que atua em Brasília.

DESQUALIFICAÇÃO 

A trajetória de Bittar, contudo, está a ponto de sofrer profunda e imprevisível desqualificação, em virtude da aventura conceitual e retórica em que se meteu ao ingressar na fileira conservadora e de formulação cientifica e socialmente equivocada dos segmentos para os quais o aquecimento global não passa de uma farsa. Este argumento é utilizado com veemência por latifundiários, investidores agroindustriais e a indústria madeireira que não querem ter limites para suas ambições patrimoniais e atividades empresariais.

Há alguns dias, duas comissões senatoriais - as do Meio Ambiente e de Relações Exteriores e Defesa Nacional – debatem com especialistas as questões referentes às mudanças climáticas. Na audiência, entre as manifestações mais aguardadas nesta terça-feira estavam três pesquisadores que discordam da visão segundo a qual a ação do homem modifica o clima no planeta. É a visão que interessa ao senador Márcio Bittar, autor do convite para o trio. A despeito da avalanche de críticas e reações indignadas de ambientalistas, cientistas, professores e cientistas, Bittar reforça sua convicção e ataca os argumentos que classifica “de esquerda”.

Porém, cabe lembrar que Bittar assinou recentemente com o senador Flávio Bolsonaro (PSL/RJ) propondo a extinção de todas as reservas legais em propriedades rurais no Brasil. Sequer considerou credenciados estudos científicos afirmando que se a proposta for aprovada o País poderá perder com o desmatamento até um terço de sua vegetação nativa atual.

Bittar se sustenta: "A maior mentira da atualidade, que virou uma fé, uma ideologia, é aquela que afirma que a ação do homem é que muda o clima do planeta". E emenda: "Em nome de uma hipótese mentirosa, o Brasil abre mão de produzir, por exemplo, três vezes mais alimentos em nome de nada".  

 

 
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