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Gabriely Ximenes de Souza, 10 anos
GRAZIELA REZENDE, G1 MS | 25 de fevereiro de 2019 - 12h10

Doença autoimune agravou após mochiladas contra menina morta em MS

Tecidos de 5 órgãos da garota foram analisados durante mais de dois meses. Ela foi agredida em frente à escola onde estudava. Duas adolescentes respondem em liberdade

A perícia analisou, durante 75 dias, tecidos de 5 órgãos da estudante Gabriely Ximenes de Souza, 10 anos, morta a mochiladas após briga com uma colega da escola, segundo a polícia. A agressão foi no dia 29 de novembro e ela morreu dia 6 de dezembro, na Santa Casa, em Campo Grande. Os exames apontaram que uma doença autoimune agravou o estado de saúde da criança, algo que nem mesmo os pais dela sabiam, ainda conforme a investigação.

“A perícia realizou um exame específico, minucioso e muito detalhado. É um laudo anatomopatológico em que diversos tecidos de órgãos foram analisados, confirmando uma patologia pré-existente”, afirmou ao G1 a delegada Ariene Murad, responsável pelas investigações.

O laudo, onde também há o histórico de Gabrielly tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto na Santa Casa, consta que “os dados clínicos sugerem que a vítima era portadora de deficiência primária”, sendo esta uma patologia genética que agravou junto ao trauma, fazendo o quadro evoluir para uma artrite séptica.

A partir daí, houve em seguida o tromboembolismo pulmonar e, em seguida, o óbito. “Foi evidenciado que o trauma no quadril era algo assintomático, de difícil evidência, tanto que ela comparecia nos postos de saúde, mas, com problemas rotineiros como gripes e resfriados”, ressaltou Murad.

O documento foi divulgado para a imprensa nesta segunda (25) e era aguardado para a conclusão do inquérito, que já conta com 250 páginas. “Todas estas informações, porém, não eximem a culpa das adolescentes envolvidas no crime. A polícia inclusive conseguiu testemunhas presenciais, que falaram da participação das adolescentes nas agressões, não só com "mochiladas", mas, com chutes e puxões de cabelo”, explicou a delegada.

O ato infracional, no caso das duas adolescentes de 13 anos, é considerado “inegável” pela polícia, embora as garotas, uma delas prima da criança envolvida na briga, continuem negando as agressões.

“A briga com a Gabrielly e a colega começou em sala de aula, com agressões verbais. Na saida, uma mãe chegou a ver o puxão de cabelo na vítima. Depois, continuou lá fora, a cerca de 300 metros da escola, com as adolescentes desferindo golpes.", argumentou Ariene.

As envolvidas respondem, por enquanto, em liberdade ao ato infracional. “A tipificação é a de lesão corporal dolosa. Cabe a elas uma medida socioeducativa, liberdade assistida ou prestação de serviços, algo que será determinado pelo juiz”, finalizou a delegada.

CASO

Gabrielly foi agredida na saída da escola. A discussão teria começado em sala de aula. A criança chegou a citar o nome desta colega para o pai. Após alguns minutos, segundo a polícia, a menina teria chamado outras 2 garotas, de 14 anos, que também bateram na criança.

O fato aconteceu a cerca de 100 metros do portão da escola estadual onde as meninas estudam. Gabrielly foi levada para a Santa Casa pelo Samu, ficou em observação por 1 dia, e foi liberada. No dia 4 de novembro, ela disse para a família que sentia muitas dores, foi levada para unidades de saúde, dia 5 voltou para o hospital, passou por cirurgia e morreu.

Uma menina de 9 anos e duas de 14 estariam envolvidas na agressão. O pai de Gabrielly, Carlos Roberto, fez um desabafo sobre o caso. "Uma delas [das agressoras] disse para minha filha 'Vou te deixar na cadeira de rodas'". De acordo com a família, a briga teria começado após criança xingar a mãe da vítima de "prostituta".

 
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