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Debate reuniu acadêmicos da Católica e também o público externo
Natalie Malulei e Carine Ferrari | 19 de fevereiro de 2019 - 23h45

Nova política nacional de saúde mental é pauta de roda de conversa na UCDB

“Diálogos em saúde mental –  Uma roda de conversa sobre a nota técnica 11/2019” foi o tema de um debate promovido, na tarde desta segunda-feira (18), pelos acadêmicos de Psicologia da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Mediada pelos professores Dr. André Barciela Veras e Me. Camila Torres Ituassu, a discussão contou com a participação não só dos alunos do curso, mas também do público externo.

O assunto em pauta foi a norma técnica 11/2019 publicada pelo Ministério da Saúde, no dia 4 deste mês, que traz mudanças na política nacional de saúde mental. São 32 páginas que compõem o documento emitido por meio da Secretaria de Atenção à Saúde e, entre as alterações previstas, está a inclusão dos hospitais psiquiátricos e das comunidades terapêuticas na Rede de Atenção Psicossocial (Raps).

“Isso significa que esses locais passam a ser considerados pontos de atenção e vão receber investimentos por parte do Sistema Único de Saúde (Sus). Uma situação em que fica claro o retorno da importância do velho, pois ambientes assim —que causam isolamento, exclusão e estigmatização do indivíduo— passaram a ser, gradualmente, substituídos no Brasil por espaços como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) que oferecem um tratamento humanizado e viabilizam a reabilitação e a inclusão do paciente na sociedade. Sabemos que esses locais não vão deixar de existir, mas os recursos destinados a eles devem diminuir”, pontuou André.

Mais um ponto abordado durante o debate foi a possibilidade de o Sus destinar recursos para a eletroconvulsoterapia — procedimento médico usado em casos de problemas mentais graves conhecido popularmente como “eletrochoque”. Segundo o professor, o método vinha sendo desestimulado no Brasil por conta dos excessos históricos, mas a partir do momento em que prática passar a ser financiada com recursos públicos, especialmente em clínicas privadas, o uso pode aumentar.

“O que pudemos concluir é que o problema não está nas formas de tratamento ou nos procedimentos que passaram a compor a política de saúde mental, mas sim no estimulo que será dado a eles a partir do financiamento pelo Sus. A questão é que, historicamente, já foi visto que essas iniciativas possuem problemas e a gente vai repetir o mesmo erro”, enfatizou André.

Durante o debate, os participantes puderam expressar o que pensam a respeito de cada novo ponto trazido pela nota técnica e trocar experiências. De acordo com André, foi um momento muito proveitoso, ainda mais, porque todos os acadêmicos e profissionais ali presentes vão conviver com as mudanças.  “Achei muito positivo o interesse por essa discussão ter partido dos próprios alunos, ainda mais pela participação dos acadêmicos do primeiro ano. Acredito que todos puderam ter uma ótima impressão do papel da Universidade e de como podemos reunir a sociedade em torno de um debate relevante como este”, finalizou o docente.

 
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