EFE/ Reproduzido por Tero Queiroz | 6 de julho de 2018 - 08h01

Leilão para passar uma noite na cela de Mandela é adiado após críticas

"A noite na cela número 7, que foi ocupada pelo líder do movimento contra o "apartheid", tinha o preço de saída de US$ 250 mil"

A organização sul-africana CEO Sleepout adiou o leilão lançado nesta semana para passar uma noite na cela ocupada na prisão de Robben Island pelo ex-presidente da África do Sul e vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Nelson Mandela, após críticas recebidas, informou nesta sexta-feira a imprensa local.

"Os administradores de CEO Sleepout querem expressar suas sinceras desculpas se ofendemos alguém com nossa intenção de arrecadar fundos para uma boa causa", disse a organização, em comunicado.

A noite na cela número 7, que foi ocupada pelo líder do movimento contra o "apartheid", tinha o preço de saída de US$ 250 mil, e supostamente quem oferecesse mais dinheiro antes do dia 17 deste mês poderia passar nela a noite do dia seguinte, o 18, que marca o centenário do nascimento de Mandela.

O porta-voz de Robben Island, Morongoa Ramaboa, comentou ao site sul-africano "News24" que a ilha é patrimônio histórico, protegida pela Unesco e governo sul-africano e "nunca ofereceu a ninguém a célula de Mandela".

No entanto, a organização explicou que se reuniram com os gerentes do presídio, localizado a cerca de sete quilômetros da Cidade do Cabo, e que contavam com a permissão para realizar o evento.

Essa permissão, segundo os organizadores, incluía o acesso exclusivo à ilha na última balsa do dia, uma visita noturna e o uso da cela à noite.

"Nelson Mandela é um exemplo brilhante da importância da educação prisional, de ter estudado na prisão. Os fundos arrecadados com o leilão iriam diretamente para os presos da África do Sul com o objetivo de ajudar sua reintegração na sociedade", explicou a organização.

Porém, por conta das críticas, a CEO Sleepout informou que foi adiado o leilão e o retirou de seu site.

O leilão, que foi lançado na última quarta-feira, já contava com algumas ofertas; uma delas, de US$ 350 mil, foi registrada sob o nome do ex-presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, com quem Mandela não teve boa relação em seus últimos anos de vida.

Entre os atos previstos para a celebração do centenário de Mandela destaca-se uma conferência com a participação do ex-presidente americano Barack Obama.

 
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