Congresso Em Foco | 21 de outubro de 2018 - 10h49

Jornal publica oferta de empresa para disparos em massa por WhatsApp

Folha de S.Paulo publicou ontem (20) em seu site documento da empresa Croc Services com orçamento e oferta de serviços de disparo em massa de mensagens por WhatsApp à campanha do candidato derrotado no primeiro turno da eleição Geraldo Alckmin (PSDB).

Na proposta, a empresa oferece banco de nomes e números de celulares próprio e cobra pelo serviço R$ 8,7 milhões. Segundo o jornal, o uso de banco de usuários de terceiros está em desacordo com a lei eleitoral. A Folha informa que a proposta não foi aceita pela campanha de Alckmin.

“Pedro Freitas, sócio-diretor da Croc, afirmou não saber que a prática era ilegal”, diz a reportagem. Pedro afirma que prestou serviços para a campanha de Romeu Zema (Novo), candidato ao governo de Minas Gerais, e de Alckmin, mas apenas utilizando a base de usuários fornecidas pelos partidos.

O caso WhatsApp

Na última quinta-feira (18), reportagem da Folha relatou que empresas compraram pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp e preparavam uma grande operação para a semana anterior ao segundo turno. De acordo com a reportagem, a prática é considerada ilegal, pois caracteriza doação de campanha por empresas, proibida pela legislação eleitoral, e não declarada.

No mesmo dia, o PT entrou com uma ação de investigação judicial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, por abuso de poder econômico e uso indevido de meios de comunicação digital. O partido pediu que o tribunal declare a inelegibilidade de Bolsonaro por oito anos.

Na esteira da ação apresentada pelo PT, o Psol protocolou no TSE uma representação para que a Justiça Eleitoral impeça que o WhatsApp dissemine notícias falsas durante o processo eleitoral.

Na sexta-feira (19), Bolsonaro divulgou uma entrevista em que nega envolvimento de sua campanha para contratação de serviços de disparos em massa no WhatsApp e afirmou que processará o seu adversário Fernando Haddad (PT) por tê-lo chamado de criminoso.

Ainda na sexta, o WhatsApp informou ter cancelado centenas de milhares de contas de usuários da plataforma que apresentavam comportamento anormal.

Outro partido que entrou com uma ação no TSE foi o PDT, pedindo a anulação das eleições presidenciais e a cassação da candidatura de Bolsonaro. A representação alega que o candidato do PSL foi beneficiário direto do esquema de uso ilegal do WhatsApp e pede uma nova rodada de votações sem Bolsonaro.

O ministro Jorge Mussi, do TSE, acatou apenas o pedido do PT e determinou abertura de ação para investigar o caso. Neste sábado (20), o presidente nacional do PSL, Gustavo Bebianno, disse que seu partido ingressará na segunda-feira (22) com uma ação na Procuradoria-Geral da República (PGR) para abertura de investigações sobre o suposto esquema de disseminação de notícias falsas contra o PT.

A pedido da PGR, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, determinou a abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) para apurar “sob a ótica criminal”, conforme ofício da PGR, se há um esquema de distribuição de notícias falsas por empresas e quem está envolvido.

Segundo informa a Folha, na noite de sexta-feira (19), Bolsonaro entrou no TSE com um pedido de direito de resposta e de exclusão da reportagem do jornal. Os advogados da campanha afirmam no pedido que o jornal fez acusações sem provas com o objetivo de beneficiar a candidatura de Haddad. O ministro Sérgio Banhos, relator do pedido, divulgou decisão na noite de sábado (20) em que nega a retirada imediata da reportagem do site da Folha, e determinou que o jornal apresente defesa.

 
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