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Heleno disse ter vergonha de mostrar o contracheque ao filho. Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Congresso em Foco | 10 de julho de 2019 - 17h36

Heleno diz ter vergonha do salário de R$ 19 mil do Exército

Responsável pela segurança presidencial, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, revelou nesta quarta-feira (10) ter vergonha do salário que ganha no Exército. Em audiência na Câmara dos Deputados, ele afirmou que não tem vergonha de ter recebido cerca de R$ 50 mil mensais na época em que trabalhava no Comitê Olímpico Brasileiro (COB), mas admitiu ter vergonha do salário líquido atual de R$ 19 mil/mês.

"Não tenho vergonha nenhuma de ser bem pago. Eu tenho vergonha de receber o que recebo hoje", afirmou Heleno, ao responder a uma pergunta do deputado David Miranda (Psol-RJ), que questionou o motivo de o general ter recebido mais de R$ 50 mil na reta final do comitê olímpico. Ele disse ainda que entrou no comitê ganhando R$ 30 mil - valor estabelecido pelo sindicato ao qual estava filiado. Esse salário, porém, chegou a R$ 51 mil nos últimos três meses de trabalho para as Olimpíadas. "Eu nunca pedi aumento, recebi o que me pagavam", afirmou Heleno, que também admitiu nunca ter se preocupado com sindicatos.

O ministro afastou a possibilidade da remuneração recebida na época dos Jogos Olímpicos ter saído dos cofres públicos. "O dinheiro saiu do valor apostado na Caixa Econômica Federal. [...] Jamais iria para o Tesouro Nacional", garantiu, dizendo que ganhou esse dinheiro honestamente. "Não tenho vergonha nenhuma de ter sido bem pago. Tenho vergonha do que recebo no Exército, porque mostrar ao meu filho que sou general de Exército e ganho líquido R$ 19 mil... Eu tenho vergonha", concluiu o general Heleno.

Cocaína
ministro-chefe do GSI foi convidado a participar de uma audiência conjunta nas comissões de Direitos Humanos e Relações Exteriores da Câmara para prestar esclarecimentos sobre o militar que foi preso com 39 quilos de cocaína em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) na Espanha, durante a viagem do presidente Jair Bolsonaro à reunião do G20, no Japão. Sobre essa questão, o general Augusto Heleno reforçou que o militar vai responder pelo crime de tráfico de drogas se o inquérito policial militar que investiga o caso confirmar sua participação.

Essa investigação porém, corre em sigilo. "Ainda não temos nenhum dado sobre o desenrolar do inquérito", afirmou Heleno, antecipando, contudo, que o caso deve acabar no Supremo Tribunal Militar. "Por enquanto, não temos notícia da participação de mais ninguém. Isso será apurado pelo inquérito policial militar, depois vai para uma auditoria militar. Provavelmente, isso vai terminar no Superior Tribunal Militar", afirmou o general.

Augusto Heleno disse ainda que este foi um fato lamentável, que atingiu profundamente o governo. "Vamos enfrentar o que aconteceu com absoluta transparência e com vontade de que não se repita. Isso nos atingiu profundamente", disse o general, garantindo que casos como esse não voltarão a acontecer. "Não foi uma falta do sistema, mas uma falta de caráter dele, que se valeu da confiança para praticar um ato ilícito", encerrou o ministro.

 
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