Tero Queiroz | 11 de Janeiro de 2018 - 11h53

VÍDEO: para preservar sua cultura e povo, indígenas do Maranhão decidem proteger seu território

'Conhecidos por expulsar madeireiros do seu território, os Ka’apor trabalham em um movimento maior, que busca a autonomia para controlar seu território'

Em uma das regiões mais pobres do país, os Ka`apor cansaram de esperar ajuda e decidiram romper com a sociedade dos karaís, como eles chamam os não indígenas. Há anos eles expulsam madeireiros de dentro de suas terras. Fazem isso com as próprias mãos e muitas vezes com o uso de violência.

Há oito anos, eles dizem ainda ter pedido para os professores se retirarem. Agora, fazem o mesmo com os médicos e reconstroem pequenas estradas internas, garantindo que toda a locomoção entre aldeias possa ser feita dentro do seu território.

O desejo pela autonomia começou a nascer na Terra Indígena Alto Turiaçu, no oeste do Maranhão, fronteira com o Pará, devido à insatisfação com o tratamento de diferentes governos. Após operações pontuais da Polícia Federal e do Ibama, madeireiros voltavam a entrar em suas terras, roubando centenas de árvores e instalando até pátios para estocar a madeira. Apesar da presença de alguns profissionais do estado, os indígenas morriam devido a diagnósticos mal feitos e julgavam que suas crianças aprendiam muito pouco com as escolas públicas instaladas dentro da terra.

“Autonomia é ficar só. É não depender de ninguém, é se virar”, explica Itahu Ka`apor, uma das lideranças dos indígenas. O mesmo termo é usado por outros povos da América Latina que decidiram mudar a sua relação com o Estado desde os anos 1990. Diante do sucateamento de diferentes governos no continente, eles buscaram expulsar traficantes, madeireiros ou outros invasores da sua terra. Enquanto isso, também mudaram sua forma de organização e retomaram aspectos antes desprezados das suas culturas.

Ao Estado, porém, ainda cabe um papel. Para os Ka`apor, os diferentes departamentos públicos devem ajudá-los em aspectos específicos de áreas como educação e saúde, mas desde que reconhecendo e respeitando o modo de fazer dos indígenas.

A ideia de que os povos tradicionais possam controlar as suas instituições e seu modo de vida está previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), assinada pelo Brasil em 2004. Por isso, segundo o antropólogo Spensy Pimentel, professor na Universidade Federal do Sul da Bahia, a organização de grupos como o Ka`apor não significa uma afronta ao Estado, mas sim uma prática legal que deve ser amparada. Veja o vídeo: 

 

*Fonte: Repórter Brasil

 
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