10 de agosto de 2018 - 16h04

Pediatra destaca aos pais a importância do cumprimento do calendário vacinal

Profissional salienta que as crianças, por terem o sistema imunológico ainda em desenvolvimento, estão mais vulneráveis às doenças e necessitam do empenho da família em prol da imunização

Nesta semana, o Ministério da Saúde deu início a uma campanha emergencial pela vacinação contra a poliomielite e o sarampo. A meta, de acordo com o órgão, é vacinar pelo menos 95% das 11,2 milhões de crianças na faixa etária entre um a menos de cinco anos e reduzir a possibilidade de retorno dessas doenças, já eliminadas do Brasil, mas que têm sido registradas em surtos nos estados de Roraima, Rondônia e Amazonas.

Nessas localidades, a campanha foi iniciada antecipadamente, e no restante do País, começou no dia 6 e vai até 31 deste mês, com Dia D agendado para o sábado de 18 de agosto. O Ministério da Saúde orienta que, mesmo as crianças que já foram vacinadas, sejam novamente imunizadas.

Para tanto, os pais ou responsáveis, munidos da carteira de vacinação, devem procurar um posto de imunização. Em Dourados, todas as unidades básicas de saúde estão abastecidas com doses da vacina e, no dia 18, as crianças também poderão receber a prevenção na praça Antônio João, das 8 às 13 horas.

Sobre o assunto, a pediatra Graciela Cano Aquino, do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), enfatiza que, o cumprimento do calendário vacinal deve ser uma das prioridades da rotina familiar, pois as crianças, principalmente as mais novas, estão com o sistema imunológico ainda em desenvolvimento.

“Elas são os principais alvos das campanhas de vacinação justamente por serem mais vulneráveis às doenças”, esclarece. A profissional, que atua na Maternidade e no Ambulatório de Puericultura do HU-UFGD, diz que doenças como sarampo e poliomielite têm voltado à tona por conta de uma queda na adesão às ações de imunização, o que é um risco, já que tais enfermidades podem deixar sequelas irreversíveis e, até mesmo, levar à morte.

Confira a entrevista completa com a médica, realizada pela Unidade de Comunicação Social do HU-UFGD:

UCS/HU-UFGD – Nos últimos anos, com grande destaque para o ano de 2018, o debate sobre a validade e a importância da imunização têm se intensificado na sociedade brasileira. Há grupos que defendem a vacinação como principal política de saúde pública, enquanto outros desconfiam de sua eficácia e até atribuem as campanhas mundiais de imunização a um grande pacto envolvendo indústria farmacêutica e governos. Como profissional da saúde, você assegura que a vacinação tem papel fundamental na proteção contra doenças, principalmente quando se trata de crianças?

Dra. Graciela – Sem dúvida, a vacinação tem papel importantíssimo na proteção contra doenças, pois, em função da imunização, conseguimos conter não apenas infecções como varíolas, poliomielite e difterias, mas também complicações decorrentes de enfermidades que podem ser evitadas pela vacinação, como câncer de fígado associado à hepatite B – nossa luta atual – e outros cânceres, como os associados ao papilomavírus humano (HPV).

UCS/HU-UFGD – Como as vacinas agem no organismo e por que as crianças, desde o nascimento, são os principais alvos das campanhas de imunização?

Dra. Graciela – As vacinas agem estimulando o sistema imunológico a produzir anticorpos que podem combater doenças infecciosas, tornando o indivíduo imune às mesmas. As crianças são os principais alvos das campanhas por serem mais vulneráveis às doenças, em função de seu sistema imunológico ainda em desenvolvimento.

UCS/HU-UFGD – O Brasil é certificado como área livre de sarampo desde 2016 e, em 1994 passou a ser área livre de poliomielite. No entanto, doenças como essas, das quais não se ouvia falar há anos, têm voltado a ocupar espaço nos boletins epidemiológicos de alguns estados. Ao que se deve o retorno de tais enfermidades e a quais riscos a sociedade está exposta caso elas se alastrem por todo o País?

Dra. Graciela – O retorno de tais enfermidades se deve à menor adesão da população às campanhas de vacinação. O Ministério da Saúde alerta que a vacinação é de extrema importância para evitar doenças e suas sequelas – como surdez, cegueira, paralisia, problemas neurológicos, entre outras – e, consequentemente, a morte, dessa forma, proporcionando qualidade de vida para toda a população.

UCS/HU-UFGD – Nesta semana, foi dado início à Campanha Nacional de Vacinação, que durante todo o mês de agosto terá foco na imunização de crianças de um ano a menores de cinco anos contra a paralisia infantil e o sarampo, independentemente da situação vacinal. Mas, para além de ações emergenciais como essa, os pais devem ficar atentos ao cronograma de vacinas que a criança precisa tomar desde o nascimento. Quais são as principais?

Dra. Graciela – O calendário vacinal vai do nascimento até os 19 anos de idade. É importante que os pais ou responsáveis pela criança se atentem para as seguintes épocas e os tipos de imunização adequados: ao nascer, BCG (protege contra forma grave de tuberculose) e hepatite B (protege contra infecção no fígado, causada pelo vírus); aos dois meses, as primeiras doses da Pentavalente/DTP (protege contra difteria, tétano, hepatite B e bactéria haemophilus influenzae tipo B, que provoca meningite), da VIP/VOP (protege contra poliomielite, sendo a VIP injetável e a VOP, oral), da Pneumocócica 10V (protege contra pneumonia grave) e da Rotavírus Humano (protege contra o vírus que causa, principalmente, gastroenterite infecciosa); aos três meses, a primeira dose da Meningocócica C (protege contra meningite tipo C); aos quatro meses, as segundas doses da Pentavalente/DTP, da VIP/VOP, da Pneumocócica 10V e da Rotavírus Humano; aos cinco meses, a segunda dose da Meningocócica C; aos seis meses, as terceiras doses da Pentavalente/DTP e da VIP/VOP; aos nove meses, Febre Amarela; aos 12 meses, os reforços da Pneumocócica 10V e da Meningocócica C, além da Tríplice Viral (protege contra sarampo, caxumba, rubéola e catapora); aos 15 meses, os primeiros reforços da Pentavalente/DTP e da Meningocócica C, além das vacinas contra hepatite A e Tetra Viral (atualização da Tríplice Viral); aos quatro anos, os segundos reforços da Pentavalente/DTP e da VIP/VOP e a vacina contra varicela atenuada; dos nove aos 14 anos (meninas) e dos onze aos 14 (meninos), vacina HPV4 (protege contra quatro tipos de infecções pelo papiloma vírus humano); aos 12 e 13 anos, Meningocócica C; dos onze aos 19 anos, vacinas contra hepatite B, Tríplice Viral e DT/Dupla Adulto (a cada dez anos, protege contra tétano e difteria). Além dessas, há a vacina trivalente contra o vírus influenza (gripe), que deve ser administrada anualmente em crianças de seis meses a dez anos de idade, e a vacina contra a dengue (encontrada na rede particular), que deve ser tomada em três doses, a partir dos nove anos.

UCS/HU-UFGD – Um dos argumentos dos grupos contrários à utilização de vacinas, é de que seus componentes poderiam ser a causa de quadros de autismo em crianças. Como pediatra, você afirma que vacinas são seguras? É comum a ocorrência de reações graves?

Dra. Graciela – As vacinas são seguras, pois são submetidas a estudos rigorosos antes de serem administradas e continuam a ser monitoradas mesmo após sua administração. Portanto, são raros os casos de reações graves.

UCS/HU-UFGD – Por fim, que mensagem você pode deixar aos pais para incentivá-los a cumprir o calendário vacinal de seus filhos, de forma que compreendam que não o estão fazendo apenas pela saúde de sua família, mas pela proteção de toda a comunidade?

Dra. Graciela – É sabido que boa alimentação e atividades físicas são essenciais para uma vida saudável e devem ser incentivadas desde a infância. Mas há outro ponto ao qual os pais precisam estar atentos: a vacinação infantil. A proteção que as vacinas propiciam ao organismo dos bebês os acompanhará por toda a vida, sem contar que os hábitos aprendidos na infância são levados para a vida adulta. Assim, a criança que aprende que a imunização é um cuidado importante para a saúde, tem mais chance se se tornar um adulto dedicado ao autocuidado. Porém, é preciso incentivá-los dando exemplo. Isso significa manter o calendário vacinal em dia.

 
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