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G1 | 12 de abril de 2019 - 17h36

OMS teme surtos de doenças infecciosas na Líbia, onde os conflitos já deixaram 75 mortos

A Organização Mundial de Saúde (OMS), entidade ligada à ONU, disse nesta sexta (12) que teme surtos de doenças infecciosas na Líbia, por conta de água contaminada ou do fluxo de pessoas fugindo dos embates na capital, Trípoli — que já duram uma semana. Os embates já deixaram 75 mortos, incluindo sete civis, e 323 feridos, 10 deles também civis, segundo a OMS.

A entidade afirma ter suprimentos destinados a hospitais e centros de saúde suficientes para cerca de duas semanas.

Até agora, 9,5 mil pessoas já abandonaram suas casas, fugindo do conflito, diz a Reuters, e outros 1,5 mil migrantes estão presos em Trípoli, de acordo com a agência de refugiados da ONU. A Líbia é um dos principais caminhos usados por pessoas que saem de seus países tentando alcançar a Europa.

O país passa por confrontos entre o governo internacionalmente reconhecido, sediado em Trípoli, e o Exército Nacional Líbio (LNA, na sigla em inglês), comandado por Khalifa Haftar a partir cidade de Bengazi, no leste da Líbia.

Grupos armados leais ao primeiro-ministro reconhecido internacionalmente, Fayez al-Serraj, mantiveram o ENL afastado com violentos combates ao redor de um aeroporto antigo e abandonado, a cerca de 11 quilômetros do centro da capital. Na segunda (8), o único aeroporto em funcionamento da cidade, o de Mitiga, foi fechado pelo governo central depois de ataques aéreos das forças dissidentes.

O país vive ciclos de anarquia e disputas desde a derrubada do ditador Muammar Kadhafi, em 2011.

Além do custo humanitário, o conflito ameaça interromper o fornecimento de petróleo, aumentar o fluxo migratório pelo Mediterrâneo para a Europa, modificar um plano de paz da ONU e permitir que militantes islâmicos explorem o caos.

Haftar, o líder de 75 anos do ENL, é um ex-general do Exército de Kadhafi que posteriormente se juntou à rebelião contra o líder.

Ele moveu suas tropas do leste para tomar o deserto, rico em petróleo, no início deste ano, e chegou a Trípoli no começo de abril. O governo de Serraj conseguiu conter o avanço, auxiliado por grupos armados com metralhadoras em caminhonetes e contêineres de aço vindos da cidade de Misrata.

A ONU, que esperava organizar uma conferência nacional neste mês com as administrações rivais do leste e oeste para organizar uma eleição, adiou o evento e pediu um cessar-fogo. A alta-comissária para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu que ambos os lados lembrem de suas obrigações com o direito internacional e assegurem a proteção dos civis.

Os Estados Unidos, o bloco G7 e a União Europeia também pediram ao LNA que suspenda sua ofensiva.

Líbios tentam manter rotina

Enquanto o barulho dos conflitos ecoava pela cidade, residentes tentavam manter alguma rotina nesta sexta-feira.

Famílias estavam tomando café da manhã próximo ao mercado de peixe, onde pessoas faziam estoques de comida para a semana.

"Nós nos acostumamos a guerras. Temo apenas a Deus", disse Yamin Ahmed, de 20 anos, que trabalha em uma rede de fast-food.

 
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