Cleber Rabelo | 8 de fevereiro de 2019 - 17h23

Banca reprova estudante que atingiu nota para Medicina na UFMS; entenda o sistema de cotas

"Não podem me classificar como branca ou negra, sou parda", afirmou estudante

A estudante Isabele Colaço Melgarejo, de 20 anos, sempre sonhou em ser médica. Após concluir o ensino médio e passar meses estudando para o vestibular da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) o esperado momento chegou.

Ela prestou a prova, entrou no processo como cotista e atingiu a pontuação necessária para ingressar na universidade. O sonho de Isabele acabou se tornando um pesadelo quando participou da banca de veracidade da autodeclaração de candidatos pretos ou pardos. A universidade concluiu que a candidata não apresentava os requisitos necessários para assumir uma vaga como cotista.

“Achei injusto, primeiro porque não tem como me classificar como branca ou negra, pois sou parda. Neste ano, a banca levou em consideração apenas aspectos negros, por exemplo, seus lábios têm de ser grossos, o nariz largo, o cabelo crespo e a pele escura. Eles desconsideram nossas origens, minha avó era indígena, então meu cabelo é liso. A questão do pardo deveria ser melhor definida por eles”, relatou.

Conforme a UFMS, realmente o parecer é emitido com base exclusivamente nas características físicas. Não há entrevista ou análise documental dos antecedentes familiares. A universidade ofereceu em 2019, 3,6 mil vagas pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada) desse total, 1,7 mil são para ampla concorrência e 1,8 mil são para cotas.

As cotas são divididas da seguinte maneira:

Isabele não concorda com a decisão da banca e está frustrada. “Não tem como explicar, você batalha tanto por uma coisa e tem seu direito negado. Em que país as pessoas precisam se humilhar para entrar em uma universidade? Vou jogar minha nota no lixo, pois não tenho mais condições de arcar com as despesas de um cursinho, além do emocional abalado. Você fica atrasado em relação aos seus amigos. Acho que aqui na UFMS, as pessoas que entram como cotistas são escolhidas” lamenta.

 
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