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9 de fevereiro de 2019 - 08h54

A importância estratégica de Porto Murtinho para Mato Grosso do Sul

Quis o destino que eu nascesse nas barrancas do Rio Paraguai, no progressista município de Porto Murtinho, cidade que cumpre papel estratégico para a economia e a segurança da fronteira do nosso estado há muitas décadas.

Quando olhamos para a história da cidade, vemos que ela nasceu com forte vocação cosmopolita. Conseguiu integrar pessoas e culturas das mais variadas partes do mundo.

Murtinho foi criada oficialmente em 1912. Faz fronteira com o Paraguai. Era um importante porto, que recebia barcos e navios da Bacia do Prata. Aos poucos, enveredou pelo caminho da exploração econômica de erva-mate, tanino, charque e couro. Ganhou uma unidade do Exército e se tornou um centro importante do comércio platino.

O contato da população de Murtinho com os caixeiros viajantes, marinheiros e militares, no início do século XX, permitiu importante integração econômica e cultural. A população acessava rapidamente as novidades que surgiam na Europa, entre elas as ideias políticas, que chegavam ao então sul de Mato Grosso por meio dos navios. As categorias profissionais mais avançadas politicamente nesse período eram os homens que trabalhavam embarcados.

Nas primeiras décadas de vida administrativa, Porto Murtinho já era uma cidade rica e moderna. Ainda hoje temos casarões de linda arquitetura que encantam a todos. Havia uma linha férrea privada ligando a sede do município à zona rural. E foi de Murtinho que partiram, em 1938, alguns homens dispostos a acabar com domínio do cangaceirismo na fronteira.

Quando falo de Murtinho também não posso esquecer que a região foi palco da Guerra do Paraguai, da luta para manter Getúlio Vargas no comando do Brasil, em 1932, e dos primeiros movimentos trabalhistas do estado. A primeira greve de estudantes do sul de Mato Grosso contra a majoração do preço do cinema aconteceu em Murtinho, em 1947, o que evitou o propalado aumento.

Para se ter uma ideia do grau de politização dos murtinhenses, nas eleições para presidente da República de 1945, Yedo Fiuza, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi o mais votado no município. Isso se explica porque havia muitos trabalhadores influenciados pelas ideias socialistas. Havia também militares nacionalistas e muita gente da América Latina que, por motivos políticos ou opção de trabalho, escolhia a cidade para morar e participar das atividades sociais da urbe.

Outro fato histórico que não poderia deixar de mencionar é que a cidade já deu ao estado um grande governador, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, que governou entre 1999 e 2006.

Tentei sintetizar a história política e econômica da minha cidade porque conheço o papel estratégico que ela pode continuar cumprindo.

Em 2020, começa a construção da ponte entre Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai, que ligará o Brasil aos portos do Chile, na costa do Pacifico. Com apoio do meu mandato e da nossa bancada federal, já foi aprovada a obra – sonho antigo da região, pelo qual tanto eu quanto o ex-governador Zeca e o ex-prefeito Heitor Miranda temos batalhado há anos. Quando a Rota Bioceânica estiver pronta, os produtos brasileiros chegarão aos mercados asiáticos com uma diminuição de oito mil quilômetros no percurso.

Não tenho dúvida que essa decisão do governo brasileiro e dos parceiros internacionais foi muito acertada. Além de se tornar um destino turístico ainda mais atraente, Murtinho vai continuar unindo o Brasil ao mundo como fez no passado. Estou colocando parte importante da minha energia na concretização desse projeto. Murtinho continuará sendo um farol importante a iluminar os passos econômicos e políticos de Mato Grosso do Sul.

*Deputado federal pelo PT e ex-secretário de Governo de MS

 

 
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