Dr. Evandro Canhaço, mastologista do HU-UFGD
Redação | 19 de outubro de 2018 - 14h49

Mastologista fala sobre a doença, tratamento e a necessidade de hábitos saudáveis para prevenção

Brasil estima 59.700 novos casos de câncer de mama para cada ano

Iniciado na década de 1990, o movimento mundialmente conhecido como Outubro Rosa tem como objetivo estimular a participação da sociedade no controle do câncer de mama. A ideia é que todos, homens e mulheres, sejam conscientizados acerca da doença, sua prevenção e seu tratamento, como forma de redução da mortalidade.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), para o Brasil, estimam-se 59.700 novos casos de câncer de mama para cada ano do biênio 2018-2019, com um risco previsto de 56,33 casos a cada 100 mil mulheres.

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de enfermidade também é o primeiro mais frequente nas mulheres das regiões Sul (73,07/100 mil), Sudeste (69,50/100 mil), Centro-Oeste (51,96/100 mil) e Nordeste (40,36/100 mil). Na Região Norte, é o segundo tumor mais incidente (19,21/100 mil).

Portanto, como forma de contribuir com a conscientização da população, neste mês, a entrevista realizada pela Unidade de Comunicação Social (UCS) do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) é com o mastologista Evandro Eduardo Canhaço. O médico explica a dinâmica da doença, fala sobre a importância do diagnóstico precoce, os avanços com relação ao tratamento e faz um alerta: hábitos de vida saudáveis são a melhor medida de prevenção.

Confira a entrevista completa:

UCS/HU-UFGD – O que é o câncer de mama? Como a doença se desenvolve?

Dr. Evandro – O câncer de mama representa a evolução espontânea do tecido normal para o carcinoma (tipo de tumor) e sua metastatização (disseminação para outras partes do corpo). Para que haja o desenvolvimento de um tumor (neoplasia) é necessário que ocorra uma cascata de eventos iniciada por um estímulo inicial que leva a um dano no DNA e uma sequência de mutações. Tanto as mutações herdadas como as adquiridas estabelecem o processo de carcinogênese (formação do tumor). Essas alterações resultam na ativação de oncogenes (genes relacionados ao surgimento de tumores) e na inativação de genes supressores de tumores.

UCS/HU-UFGD – Existem fatores de risco para o câncer de mama? Quais são e como a mulher pode se precaver?

Dr. Evandro – Estima-se que 75% a 80% dos casos de câncer de mama originem-se em mulheres sem fatores de risco para a doença e apenas 10% dos tumores são considerados hereditários. São fatores de risco conhecidos: a presença de câncer de mama ou ovário em familiar de primeiro grau, mutação genética conhecida, não ter filhos ou tê-los somente após os 30 anos, ausência de amamentação, menopausa tardia, uso de terapia hormonal na pós-menopausa, densidade mamária elevada na pós-menopausa, assim como obesidade nessa faixa etária, e consumo constante de álcool. Como medidas preventivas, orienta-se hábitos de vida saudáveis como controle do peso, exercícios físicos, dieta balanceada, controle do stress e ausência de vícios.

UCS/HU-UFGD – O diagnóstico precoce é fundamental para um tratamento bem sucedido. Quais os sintomas ou sinais a que a mulher deve estar atenta?

Dr. Evandro – A mamografia é o melhor método de que se dispõe para o diagnóstico precoce do câncer de mama, mostrando redução da mortalidade em estudos efetuados de rastreamento. A detecção precoce do câncer de mama, em estágio subclínico (fase inicial), por meio da mamografia, permite um tratamento mais adequado, determinando melhor qualidade de vida, com menos mutilação e a cura da doença. A presença de nódulo palpável, abaulamento ou retração cutânea ou mamilar, a saída de secreção transparente ou sanguínea pelo mamilo de modo espontâneo e a presença de linfonodos (ínguas) axilares palpáveis são sinais que devem motivar a procura do médico mastologista.

UCS/HU-UFGD – Uma vez diagnosticada a doença, quais as principais recomendações?

Dr. Evandro – O diagnóstico só é confirmado por meio da análise histopatológica de um fragmento do tumor, realizado através de uma core-biopsy (tipo de biópsia com auxílio de ultrassonografia). Com a confirmação diagnóstica, casos iniciais são encaminhados à cirurgia, seguida de quimioterapia e radioterapia, dependendo do estadiamento do tumor. Outros casos se beneficiam com a quimioterapia primeiramente, seguida da cirurgia e, posteriormente, radioterapia. Ao término do tratamento, algumas pacientes fazem o uso de hormonioterapia por dez anos.

UCS/HU-UFGD – Com relação ao tratamento, quais os avanços e que benefícios eles apresentam com relação às perspectivas de cura e qualidade de vida das pacientes?

Dr. Evandro – O desenvolvimento de tecnologias para análise de expressão gênica em tumores tem mudado o tratamento das pacientes com câncer de mama. Testes como MammaPrint e Oncotype utilizam a biologia molecular para classificar os tumores da mama de forma complementar à histopatologia e são denominados como assinaturas gênicas. Em casos selecionados, eles identificam as pacientes com tumores de comportamento menos agressivo e que teriam um bom prognóstico, sendo possível poupá-las da toxicidade da quimioterapia. Além disso, também existem testes genéticos capazes de avaliar se o indivíduo é ou não portador de mutação familiar. Esses testes se tornaram financeiramente mais acessíveis após a atriz Angelina Jolie relatar que possui a alteração genética, tornando-a uma paciente de alto risco para o desenvolvimento do câncer de mama. Cirurgias como as mastectomias redutoras de risco são indicadas para essas pacientes de modo a reduzir significativamente o surgimento da doença.
 
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